PAN compara situação em Almaraz com acidente nuclear de Fukushima

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“Aquilo que estamos a ver agora foi aquilo que vimos em Fukushima. As declarações do governo japonês são as declarações do governo espanhol. As anomalias técnicas são as que vemos em Almaraz e a qualquer momento dá-se um acidente”, sustentou André Silva, que falava aos jornalistas à margem de uma concentração em frente ao consulado de Espanha em Lisboa.

A concentração, que pelas 18:30 juntava centenas de pessoas, foi convocada em defesa do encerramento da central nuclear de Almaraz e é promovida por ambientalistas portugueses e espanhóis – também delegações do Bloco de Esquerda (BE) e do partido ecologista “Os Verdes” estiveram presentes, além da deputada da bancada do PS Helena Roseta.

“O governo do Estado espanhol não pode, do ponto de vista unilateral, continuar com a central nuclear de Almaraz e muito menos fazer obras de ampliação, isso não é permitido”, sinalizou a coordenadora do Bloco, Catarina Martins, advogando que “Portugal será sempre vítima” de qualquer eventual acidente na central.

E concretizou: “Não é compreensível e aceitável em nenhum país europeu que centrais nucleares possam funcionar depois do seu período de vida”.

Pelo partido ecologista “Os Verdes”, a deputada Heloísa Apolónia lembrou que o parlamento português aprovou por unanimidade um texto condenando a atuação do executivo espanhol nesta matéria.

“Acho que é muito importante essa voz uníssona da Assembleia da República”, sublinhou a deputada, que pediu também do Governo liderado por António Costa uma resposta “muito clara” sobre o que “vai defender em nome dos portugueses” em torno da central nuclear.

Presente também na concentração esteve o secretário-geral do partido espanhol Podemos para a região da Extremadura, Álvaro Jaén, que enalteceu a unanimidade parlamentar em Portugal sobre o tema e criticou o executivo espanhol por fazer “o que não se entende”, de forma unilateral.

A Comissão Europeia admitiu hoje que poderá contactar as autoridades espanholas para “clarificar a situação” do aterro nuclear na central de Almaraz e “chamar a atenção” para as obrigações previstas na legislação comunitária em matéria de segurança nuclear.

Questionado pela Lusa sobre o anúncio de hoje do Governo português de que irá apresentar queixa em Bruxelas, o porta-voz do Ambiente, Enrico Brivio, referiu que, até ao momento, o executivo comunitário ainda não recebeu uma queixa formal mas, se e quando tal acontecer, “a Comissão irá analisá-la e poderá decidir contactar Espanha para clarificar a situação e chamar a atenção para as obrigações previstas na legislação a União Europeia”.

O porta-voz acrescentou que “a Comissão está a par das preocupações manifestadas pelas autoridades portuguesas” e referiu que, embora os Estados-membros sejam livres de incluir a energia nuclear nos seus cabazes energéticos, “todos têm de aplicar os mais elevados padrões de segurança” na gestão de resíduos.

O Governo português defende que no projeto de um aterro de resíduos junto à central nuclear de Almaraz “não foram avaliados os impactos transfronteiriços”, o que está contra as regras europeias.

A funcionar desde o início da década de 1980, a central está situada junto ao Tejo e faz fronteira com os distritos portugueses de Castelo Branco e Portalegre, sendo Vila Velha de Ródão a primeira povoação portuguesa banhada pelo Tejo depois de o rio entrar em Portugal.

Fonte: Notícias ao Minuto