Dia nacional: doação de órgãos pode salvar vidas

A falta de informação e preconceito sempre atrapalha a vida das pessoas. No caso da doação de órgão, esses dois itens podem levar a morte de quem está a espera do gesto. A quantidade de doadores ainda é muito pequena diante no número de pessoas que esperam em filas de transplantes: em Feira de Santana, de janeiro a agosto deste ano, foram acompanhados 42 protocolos de morte encefálica, desses 4 doações, 33 negativas familiares e 5 contraindicações.
Os maiores obstáculos vêm da própria família que não tem informação do desejo do ente querido de ser doador ou não e da recusa familiar. Dentre as ações para mudar esse quadro, a mais importante é a conscientização da população de que o gesto de doar, para muitos pacientes, é a única forma de continuar a viver. “Percebe-se que apesar do aumento no número de diagnósticos de morte encefálica, ainda a recusa familiar é um dos maiores empecilhos para que a doação seja efetivada”, conta a enfermeira, Ana Andrea Pinho, representante da OPO/CIHDOT do Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA).
Todo paciente em morte encefálica pode ter os órgãos doados. Após o diagnóstico da morte do cérebro, a família deve ser consultada e orientada sobre o processo de doação de órgãos. “Inicialmente vamos aos setores onde se encontram os pacientes ‘neurocríticos’, aqueles pacientes que estão graves e que podem evoluir para morte encefálica. Em seguida, é aberto um protocolo para morte encefálica, onde pode ser feito pelo neuro ou pelo clínico da unidade. Além de exames clínicos, é feito um eletroencefalograma. Este exame é enviado a Salvador, e laudado por um neuro da Central de Transplante. Nosso trabalho não é só com o paciente, mas também com a família que é um trabalho muito importante para a efetivação da doação”, explica a enfermeira.
Segundo pesquisas, existem no Brasil 29.800 pessoas, em média, aguardando transplante, e na Bahia cerca de 1.700 pessoas. “Ainda é um número baixo, mesmo que tenham evoluído bastante as doações em Feira. A nossa campanha é conscientizar as famílias e as pessoas a dizerem a seus familiares que são doadores”, diz Andrea. Para ser doador não é necessário deixar nada por escrito, mas é fundamental comunicar à família o desejo da doação.
Ação no Clériston
O Hospital Clériston Andrade, através da Organização a Procura de Órgãos OPO e a Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos CIHDOT, em parceria com Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), promoverá a Semana de Incentivo à Doação de Órgãos, ações realizadas nesta terça-feira (27) na própria instituição para incentivar comunidade à doação de órgãos.
Sempre realizada na última semana de setembro, o evento alerta para a importância de conscientizar sobre a doação de órgãos e para isso será montado um stand no corredor principal do HGCA com distribuição de panfletos orientando sobre a doação de órgãos. Os participantes também poderão assistir palestra sobre o tema no auditório do HGCA, seguida de momento em homenagem aos colaboradores no processo de doação/transplante, além de apresentação cultural.
